Tuesday, May 27, 2014

Madrugada

Ah! Este poema das madrugadas,
que há tanto tempo enrodilhado
num sem-fim de estados de alma
me obcecava, tirânico,
sem se deixar fixar! ...

Madrugada... e esta solidão crescendo,
esta nostalgia maior, e maior, e maior,
de não se sabe o quê
— nunca se sabe o quê...
que haverá nestas horas sozinhas e geladas,
para assim trazer à tona as indefinidas mágoas,
as saudades e as ânsias sem motivo
— de que não sabemos o motivo?...

Vieram as saudades do tempo de menino
— ou dum paraíso lá não sei onde?
Ah! que fantasmas pesaram sobre os ombros,
que sombras desceram sobre os olhos,
que tristeza maior fez maior o silêncio?
A que vem esse calor distante e absorto,
esse calar, esses modos distraídos?
Meu pobre sonhador! a esta hora
porventura se desvenda a Suprema Inutilidade?
e a definitiva ilusão de tantos gestos?

Interroga, interroga...
vai sonhando,
sem que saibas sequer o caminho que segues
vai, distraído e pensativo,
alheio de hoje,
vivendo já o derradeiro segundo...

Que a madrugada tem o pungir das agonias,
mas alheio, como o fim dum pesadelo...



Casais Monteiro

Sunday, December 10, 2006

Fim

Falta pouco para a meia-noite.
Este blogue acaba aqui.
Os motivos são vários. Todavia, o que me leva a tomar esta atitude é simples: morreu Pinochet. Cumpria-se um post, com algum conteúdo. Não tinha que ser nem grande nem pequeno. Tinha que existir. Não acompanhei o processo, como não acompanhei tantos acontecimentos.
Quando se cria um blogue, podem escrever-se dois tipos de textos: ou se centram os posts em algo temático, muito específico, ou se escreve sobre o próprio blogger.
Nunca consegui chegar a lado nenhum específico.
Não fui sagaz o suficiente para comentar a actualidade, fosse sobre que prisma fosse, nem escrever algo interessante sobre os meus estados de espírito. E não quero ser hipócrita: quem está na blogosfera quer ser lido, não vejo outra razão para se lá meter.
Como não cheguei a lado nenhum, como não cativei ninguém, termina aqui a minha participação enquanto blogger singular.
Um sítio assim precisa de muita dedicação e actualizações constantes.
Continuarei, enquanto durar a campanha da IVG, no outro blog, o Pelo Sim, e no NES/FDL.
Por cá, dou por encerrado o sítio.

Saturday, December 09, 2006

Sim Carolina, oh ih oh ai

Se a Carolina de que vos falo tivesse "Espirito Santo" antes de Salgado, a polémica não existia.
Porém, não tem.
Lançou um livro: "Eu, Carolina". Por entre tantas revelações, ditas escaldantes, o que a opinião pública quis escutar envolvia uma outra pessoa pessoa: o antigo "companheiro", Pinto da Costa, carinhosamente chamado de Jorge Nuno, pela escritora. De facto, até eu fiquei chocado. Como as castanhas, as afirmações foram quentes e boas:
- Avisos sobre as buscas a realizar, por fonte na P.J;
- Relações promíscuas com arbítros, ainda por cima, conhecidos;
- Uma história fantástica, que envolve aparelhos de detecção de escutas, oferecidos ao "Jorge Nuno";
- Uma "Tareia" encomendada, e executada, paga por Carolina, tudo a mando de Pinto da Costa, a um ex-autarca de Gondomar.
- Estranhamente, havia sempre Dinheiro vivo no quarto do Presidente do Porto.
Posto isto, duas reflexões.
A primeira é: Mas isto é novidade para alguém? A tradução de Corleone, para português é Pinto da Costa!
A segunda, numa toada mais séria, prende-se com o seguinte: ninguém merece isto, nem mesmo o visado. É uma humilhação pública forte. Não que não seja merecido. A questão é que quem fala é alguém que perdeu respeito por parte de muita gente e agora quer vingança. Mais ainda: como eu, muita opinião pública terá impressão que Pinto da Costa é um criminoso. Opinião toda a gente pode ter, certeza só tem, todavia, quando os tribunais concluem, e há um julgamente justo. Factos são factos. Mas o que nos foi apresentado podem ser acusações falsas de alguém desesperado.
Portanto, eu gostei de ouvir, mas não significa que sejam verdade. Calculo que a Carolina vai passar as passas do Algarve.

Tuesday, December 05, 2006

Cinema em 2005

Houve menos espectadores a ir ao cinema, no ano de 2005. Os dados são do INE. Vejam-nos por aqui.
Há várias razões. Não cumpre aqui analisar o pormenor.
A meu ver, são 3 razões-chave que fizeram cair o número de espectadores.
-Preço;
-Internet;
-Assistência.
Os bilhetes são caros. Até demais. Uma bela tarde com amigos pode custar cerca de 10 euros. Obviamente, estou a incluir pipocas e bebida. Se não for assim, dos 5 euros não nos livramos. Essa quantia permite-me almoçar ou jantar duas vezes na cantina na faculdade. Estou a falar de duas refeições ao mesmo preço de um bilhete de cinema. Parece-me excessivo.
A possiblidade de "sacar" filmes é capital na descida. Cada caixa de 10 CD'S custa, em média, 5 euros. Com os limites de tráfego que os servidores disponiblizam, estou em crer que não competição possivel. Basta juntar a possibilidade de haver um leitor de DVD, que leia DivX, e um plasma, ou LCD. Cinema chez moi, há melhor?
Assistência. Deixou de ser possível ir ao cinema e ter paz, ao ver o filme. Isto passa-se, sobretudo, com as comédias. Normalmente, seriam filmes desse género que serviriam para arrecadar alguma receita. São consensuais, são ideais. Não se passa assim. Poderiam ter muito mais público. Mas há comportamentos que irritam o mais pacato cidadão, há atitudes que fazem sentir arrependimento por ter comprado bilhete. Não se passa, todavia, exclusivamente nas comédias. A última bela pérola que tive o privilégio de ouvir foi no "Perfume, História de um Assassino". Os que virem o filme, ou conhecerem o livro do Suskind, sabem do que falo. Na parte final, quando o personagem regressa à terra onde nasceu, terá um objectivo. A cavalheiro ao meu lado terá dito: "Vai abraçar a mãe". Caro leitor, a "mãe" morre no início do filme.
Não deixo de ir ao cinema, mas tenho presente que estes são três argumentos de peso para que a maioria desista de lá ir.

Sunday, December 03, 2006

Estudos

O Melhor manual, para que alguém estude processo, é o do Kafka.

Wednesday, November 29, 2006

11 de Fevereiro 2007

So said The Man.
Eu vou votar.
Não sou um role model, mas siga o meu exemplo.

Tuesday, November 28, 2006

Socialismo em Forma Legal

Os compadres de um dos meus blogs de referência, o Blasfémias, têm lá uma coluna que diz aquilo que é o título deste post.
Eles acusam o Governo de exercer políticas que de Esquerda.
São os mais engraçados.
Pergunto eu o que é a Flexigurança. Socialismo em forma legal?
Dos economistas, poucos se mostram capazes de acreditar que o modelo sirva em Portugal. Dos Empresários, sabemos que vão esfregar as mãos. Dos trabalhadores...são a base da cadeia alimentar.
O Flexigurança é um esquema importado da Dinamarca, que consiste num pacote de medidas que flexibiliza o emprego ou despedimento, por parte do empregador. Têm contrapartidas: o trabalhador que optar por não ver o seu salário aumentar pode receber acções de formação que se traduzem na sua melhor esepcialização. Terá também, quem essa opção tomar, ver alongados os dias de férias. Quem está no desemprego pode ver o subsídio com um valor igual ao do seu salário anterior, criando-se, todavia, fortes incentivos ao re-ingresso no mercado de trabalho.
Mas isto é muito bonito. Como é que eu me fui pôr a escrever contra estas coisas? Como? Mas isto é perfeito!
Calma.
Terei escrito que facilita os despedimentos? Ah, escrevi!
No, mas bem lá no fundo, tudo é uma troca: troca-se a estabilidade no emprego, pela estabilidade no desemprego.
Mas o português não é Dinamarquês, nem Portugal fica no Norte da Europa.
Gente sem Amor à Sanidade Mental